Nem Sempre É Vencer. | Escrito por Nilton Victorino Filho

Tem hora que você tem que dar o braço a torcer e admitir que, naquele momento, a vitória não virá.

Dito isso, não quer dizer que você dará de bandeja a vitória, não, essa sempre foi a sina do Dínamo Futebol Arte, você pode até vencer mas, terá que suar.Quando fomos disputar o campeonato de futsal da Cidade do Saber, em Camaçari, já era do nosso conhecimento que não seria fácil, porém, levar um time de juniores num campeonato amador nos traria experiência para futuras competições.


Sendo o nosso time da periferia, nem preciso dizer que a nossa torcida era quase inexistente, somente os guris das categorias menores e as fiéis jogadoras time feminino compunham a nossa torcida, na quadra fechada com piso de sinteco, a melhor quadra da cidade, os gritos dos inimigos nos calavam, a maior parte do nosso time sentiu, muitos deles nunca haviam jogado contra adultos.


Mesmo tendo idade de juniores, o Luther Victor tinha mais de dez anos de Dínamo e, na quadra, era o único impassível, quantas batalhas desiguais esse guri teve que enfrentar para chegar ali e portar a faixa de capitão desde os dez anos de idade???
Nada dava certo no jogo, torcida gritando, juiz compadre, e a nossa inexperiência…tudo anunciava uma estrondosa vergonha.


Na metade do segundo tempo, vendo que o placar era impossível de se alcançar, parei de gritar e, com a torcida engasgada na garganta, pedi tempo e chamei o capitão de lado, por mero acaso, esse também atendia por “meu filho.” _Moleque esquece o jogo, não dá pra virar esse jogo mesmo, mas, me faça um favor…cala a boca dessa torcida, pelo amor de Deus.


O guri abriu um sorriso cúmplice e os dentes brilharam, levou o sorriso para dentro da quadra, uma tonelada saiu dos ombros dele.


Assim que a bola foi rolada pelo goleiro no canto da quadra, ele dominou e jogou a bola no meio das pernas do pivô e voltou para a área, arqueou o corpo e partiu para o meio em diagonal, haviam dois jogadores lá e ele pedalava quando os dois foram combatê-lo, dois toques de lado e os dois se deitaram vencidos, veio o último com gosto de gaz, outro fintado e o goleiro também, na cara do gol, levou a bola para o pé direito e com uma categoria invejável, jogou um pé por cima do outro e bateu a bola por cima da trave, como se fazer o gol não fosse necessário e ante os olhos arregalados da torcida, bocas abertas e um silêncio de morte, saiu rindo.


Frações de segundo que dava para ouvir o zunido de um pernilongo, a torcida tentando entender se aquilo havia de fato acontecido. E, calada, a torcida ficou até o apito final, pois o que conta não é a vitória ou a derrota, antes disso, o respeito é o que norteia o esporte.

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