As tardes Inesquecíveis No Educandário Dom Duarte | Escrito por Nilton Victorino Filho

Mesmo que eu diga sempre…aliás, diga não, escreva que passei um tempo no pavilhão 22, o tempo mais mágico da minha infância passei no lar 14.

Para mim, esse era o paraíso na terra e vai precisar de centenas de anos para que essa lembrança me seja demovida, nossa, a professora Elizabeth diria que esse foi um prefácio dramático.

De tardezinha, quando o lar estava sob o comando do Luiz Antônio, a rotina era assim: Depois do almoço que era trazido por padiola, os guris se quedavam na sala, alguns por cima do tapete e outros em cadeiras, hora de digestão.

Na TV Bandeirantes era religiosamente assistido um episódio de “Jornada nas estrelas”, os guris eram fãs do capitão Kirk e do imediato Spock.

Terminado o episódio em questão, o capitão já havia beijado outra boca e o imediato auferido a palavra “fascinante”, os guris se levantavam, corriam a dispensa e pegavam a bola, atravessavam a estrada do bosque e desciam para o aprazível e sombreado campo do 14.

Sobre o campo do 14 já falei, a melhor brincadeira era a rebatida…antes das regras da brincadeira, vamos ao detalhe da bola. A bola “Dente de leite” era de uma especie de plástico mais duro, quanto mais velha, ela ia diminuindo de tamanho e acabava ficando mais dura que o capotão. A regra da rebatida era a seguinte então:

Uma dupla para bater o penal e uma dupla no gol, cada membro da dupla batia três vezes…NÒÒÒÒÒ. Depois a dupla que bateu ia defender, nóóó de novo.

Um chute que fosse gol valia um ponto, um gol de rebote valia 2, se fosse rebote das traves laterais 5 pontos, do travessão 10 pontos, da forquilha 15 pontos. Além de bom no chute e no gol, os guris tinham que ser bons na matemática.

Na verdade quem soubesse fazer a conta rápido e gritar, ganhava a peleja. Um amigo do 14 que eu gostava de fazer dupla era o Luiz Sergio Nunes, raramente a gente deixava de fazer dupla.

Esse era meu amigo desde os meus dois anos de idade, era mais baixo que eu e canhoto, na hora da defesa ele usava os chinelos como luvas, comum era o mais baixo ficar adiantado, na hora dos chutes eu sentava o dedo e ele buscava a trave.

Porém, a maior qualidade do amigo era a de ser rápido na conta e saber ganhar no grito, encima da marca.A cada gol nosso, ele acrescentava dois pra nós e tirava dois dos adversários: _Moleque, faz as contas direito, senão vai ter briga. _Quiô…Tá me chamando de ladrão???Cai pro pau.

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