A Vingança | Escrito por Nilton Victorino Filho

Os mais espiritualizados dizem que a vingança é nociva para a alma, mas como eu nunca tive vocação pra santo, prefiro a máxima popular, que reza, “a vingança é um prato que se saboreia frio”.

Na primeira geração do Dínamo, nos demos ao luxo de ficar 2 anos sem jogar em casa, vários desses jogos foram realizados em favelas, onde impera as leis locais, muitas vezes, apanha-se e não se tem o direito do revide.
Eu sempre disse, para o meu time:
“Casa deles, regra deles”
No caso do Dínamo, nunca foi bom negócio revidar…tinha sempre muita criança junto.
A “seleção” disputou um festival, certa feita, na favela do Jardim São Remo (Rio Pequeno-SP), fomos com os 3 times, o feminino, o infantil e o amador…que era chamado de SELEÇÃO.
Nos 2 primeiros jogos tudo bem, vencemos fácil e levamos o troféu, como manda o figurino.
Na mesa, quando ainda apresentava a ficha do time, encostou do meu lado, um jogador e me perguntou:
_. Trouxe a sacola???
Um frio percorreu minha espinha, percebi que a partida não ia acabar bem e, como não fujo de briga, fiquei tranquilo.
A partida foi de arrepiar, arbitro que só via o que convinha ao dono da casa, violência desproporcional, enfim, tudo que se cabe num bom processo criminal, 4 jogadores expulsos e, como havia sido prometido…goleada.

O cretino da mesa, atendia pelo apelido de Piuta, no finzinho do segundo tempo, já que tinha o placar elástico a seu favor e a vantagem numérica, resolveu tripudiar…tendo o gol livre à sua frente, sentou-se na bola, o Berruga, que vinha no embalo, chutou-lhe…tumulto, minha vontade primeira foi, subir o gás dele, os meninos do infantil e as meninas estavam, do meu lado…pedi pro meu time ter calma.
Encerrou-se o jogo, pegamos nossos troféus e fomos para a Avenida Rio Pequeno, esperar o ônibus do Nelcindo Diniz, para ir para casa.
Anos se passaram, o Dínamo mais forte que nunca, e …sempre a sombra do passado assombrando.

Pois é, como eu disse não sou uma pessoa muito espiritualizada, eu gosto mesmo é de guerra…e qual não foi minha surpresa no terceiro Cingabol, quando foi anunciado um novo time da zona Oeste.
Chamava-se Real Parque e, adivinha quem era o técnico??? KKKKKKKKKKKKKK…o tal do Piuta.
Na reunião da Secretária de Esporte de São Paulo, passei por ele e ele não me reconheceu.
Ficou decidido que, o campeonato seria realizado no módulo pontos corridos, o time que chegasse na última partida com o maior número de ponto seria o campeão, medalhas, troféu e tudo que se tem direito.
Meu time já vinha no embalo e manteve a regularidade nas partidas, nos bastidores, haviam 2 favoritos ao título…O Dínamo e o Real Parque.

No dia da partida esperada, teve até participação especial, o Alisson, primo do Maciel Henrique, apareceu…só pra eu lembrar dos tempos do Butantã.
Quando chegou a hora de entregar os documentos, dos jogadores na mesa, era habito que a Stephanie Victorino fizesse isso, pedi pra ela me dar a honra e, quando o técnico adversário acabou de conferir os papeis, eu falei, em tom baixo:
_Trouxe a sacola ???
Naquele instante, os olhos dele arregalaram-se…a ficha caiu.
Pra azar dele, meu time voava baixo, naquele dia os meninos estavam implacáveis.


8 x 1, sem choro nem vela.

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