Borboletas Ao Vento | Escrito por Nilton Victorino Filho

Gosto, definitivamente, de borboletas.
Quem acompanha minhas edições de vídeos ou minhas narrações, verá e constatará que, sempre há uma ou bandos delas, para mim é um símbolo de vida, de leveza e beleza.
Dia desses, depois de ser queimado por uma taturana, meu neto fez menção de se vingar do repugnante inseto:
_Se você quiser, eu mato.
_Mata vovô.
_No entanto, eu vou estar matando uma futura borboleta…

E, diante da perplexidade dele, segue uma pequena aula de biologia, ao final das palavras, mesmo ainda com lágrimas escorrendo-lhe na face, ele recomendou que eu a pusesse em lugar seguro.
Meu neto é sempre o melhor ouvinte das minhas narrativas e então fui em diante:
“…No Sampaio Viana não haviam jardins e, era muito escuro tudo, muitas crianças juntas e pouco diálogo.

Fui vítima da catapora e, para que a doença não se alastrasse, fiquei isolado num quarto, quarto que ficava perto do pátio de recreio das outras crianças, ficar isolado era, por si só, um castigo para um guri com três anos de idade e ouvir os gritos de felicidade dos outros, enquanto a febre consumia, era muito pior.

Fazia um vento forte de outono e, da janela estreita, de onde um raio de luz vinha, uma borboleta pequena, dessas mais ordinárias, dessas de cor amarela e preta veio, num voo nervoso fez evoluções e pousou na minha mão.

Até que eu me recuperasse, ela vinha com o sol e ia embora pela noite e, por essa companhia, eu não senti a solidão.
Na Casa da Infância, sempre haviam centenas delas a voar nos jardins que ficavam entre os refeitórios e as salas de aulas, naquelas salas de estudos, acima da portaria, as freiras plantavam flores nas jardineiras da janelas, sempre vinham várias ali, as espinheiras davam pequenas flores com néctar, um espetáculo à parte.

Numa tarde de sol, quando eu e o Clóvis, agachados no beiral da piscina de alvenaria, com todos os aparelhos, iniciávamos uma dissecação numa taturana, daquelas pretas com espinhos brancos, a madre da Penha calmamente se postou ao nosso lado:
_Os doutores sabem que vão impedir que esse bicho asqueroso se torne uma borboleta, não sabem???

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