O Orgulho De Um Colégio | Escrito por Nilton Victorino Filho

Nos tempos de adolescente no Educa, apenas 3 coisas davam status prum pivete:

Sair com uma menina show, jogar no dente de leite e tocar na banda…não, necessariamente nessa ordem.

A primeira eu estava engatinhando, mais cedo ou mais tarde ia rolar, a segunda foi difícil, mas eu, o Viana e o Feliz conseguimos e fomos babando, juntos, para a fanfarra.

Pegamos uma época de declínio, muitos dos feras já haviam saído e o comando estava sendo trocado, nem fazíamos ideia que estávamos participando do capitulo final, os últimos acordes do orgulho do Educandário.

O Feliz e o Viana, que já tinham uma habilidade musical se sentiram à vontade, um pegou a caixa e o outro pegou um surdão…e eu ???

Me jogaram uma marimba nos braços e, quando me perguntavam que instrumento eu tocava, na maior, eu respondia:

_De tudo um pouco.

O Zé Almir já era veterano, tocava o bumbo, ensaiava do meu lado, fazia umas graças com as baquetas, rodava-as nas mãos e batia…

Ah, que inveja do Zé !!!.Geralmente ele era desajeitado, engraçado até, mas ali era senhor de si, e eu com a minha marimba.

A fanfarra ficou sem comando, o João Benine, que era marida da professora Íris e pai da Ilka, minha grande amiga, se ofereceu pra comandar.

Se dava status pros meninos, imagine como era prum adulto, comandar a maior e melhor fanfarra de São Paulo, não deu outra, o seu joão ficou insuportável, com ares de muito importante.

O Francelino tocava o trompete, um passo do meu lado direito, de quando em vez desafinava, mas, quase não dava pra perceber.

O Zé fazia seu habitual malabarismo, o Francelino deu uma nota errada e eu na minha marimba esperando a minha hora, o chefe da fanfarra se aproxima e fica do meu lado, de ouvidos atentos, o Francelino dá uns acordes perfeitos, o Zé castiga o bumbo e o faz de olhos fechados, o trompete desafina só um pouquinho, o seu João tem dúvidas e chega mais perto, minha vez de tocar a marimba…tim, tim, dom, o chefe gostou e sorriu pra mim, aproximou-se do Francelino, não ia perder o próximo acorde do trompete, ao fazer isso fica muito perto do bumbo, inclina a cabeça, esperando o Francelino soprar…

Antes mesmo que o Francelino tocasse, a baqueta pesada o atinge em cheio no nariz, pulei pra trás, no espaço que eu deixei cai o corpo do chefe da fanfarra…nocauteado, feito um lutador de boxe.

Sem se dar conta, o Zé rodava as baquetas nas mãos e batia no bumbo.

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